Algumas noções básicas para a aguarela

Por: António Bártolo

1 – Encontre um papel que lhe agrade

Cada papel tem as suas qualidades e os seus inconvenientes, as suas possibilidades de efeitos.

Consoante o seu grau de goma ele vai conservar as cores na superfície ou absorvê-las, diminuindo então a sua intensidade na secagem.

Entre as três texturas de papel há o fino, o satinado (satiné) e o grosso (torchon). O primeiro é o mais fácil de dominar.

Papel aguarela

Quanto à gramagem, oscila entre os 300 e os 640 g. O papel com 300g é o mais vulgar. O papel com 600g permite revelar a força das cores com a condição de bem executar e de calcular a colocação do pigmento.

Encontrar o seu papel vai permitir avançar mais rapidamente na direção que escolheu.

2 – Escolha os tubos

A caixinha com pastilhas, com cores impostas é ideal para iniciar, mas é também bastante limitada. Depressa vai precisar de outras cores.

De maneira geral os tubos tornam-se mais práticos no atelier: estão prontos para usar, são cómodos para gerir a quantidade de água e preparar misturas

3 – Invista em pincéis de qualidade

Um pincel de aguarela de uso comum deve ter como primeira qualidade uma boa retenção de água.

Os pelos naturais são os melhores, sobretudo marta e petit-gris, contudo é importante dizer que há pincéis de muito boa qualidade sintéticos (e a metade do preço). Vá comprando os seus pincéis à medida que for ganhando experiência

4 – Organize a sua paleta

Independentemente do material com que foi fabricada, a paleta deve estar limpa e bem organizada. Antes de começar limpe a parte onde faz a mistura das cores e coloque as cores puras. Este procedimento é fundamental para obter tons frescos e limpos.

Deve verificar as suas misturas num papel de teste que será o mesmo do trabalho para perceber o seu efeito no papel e o aspeto após a secagem.

Face ao motivo

5 – Escolha o tema / o assunto /

A aguarela deve proporcionar felicidade e bem-estar e não contrariedade. Escolha um tema que o inspire e observe-o cuidadosamente para entender melhor a forma como o vai desenvolver.

6 – Dedique-se ao desenho

Como o pianista faz escalas, o pintor desenha antes de pintar. Desenhar o seu tema é apropriar-se dele: entrar em comunhão procurar as suas formas, a sua composição os seus valores. É um tempo de observação indispensável que permite compreender melhor os elementos a integrar ou a transformar, a destacar ou a desvalorizar.

A vontade de obter resultados imediatos explica algumas das atitudes do iniciado. O entusiasmo e a impaciência são obstáculos a ultrapassar para que o desenho se torne um prazer.

Face a si próprio

7 – Prepare-se para as surpresas

A aguarela surpreende-nos, proporciona-nos uma mão cheia de imprevistos.

É preciso ser curioso e humilde para aceitar o que se passa sobre a folha e aproveitar as oportunidades que se apresentam. Mesmo os muito experientes são surpreendidos.

8 – Saiba tirar partido dos seus “azares”

A aguarela não se domina. Os azares são frequentes ( e ainda mais no início), mas é preciso aceitá-los para poder progredir. Cada “acidente” faz avançar. Preparar-se para o desespero, para a confusão é o caminho para o sucesso. Quanto mais nos enganamos, mais progredimos.

9 – Diferenciar os pigmentos

Há 3 tipos de pigmentos:

  •  Os minerais: (cobalto, cádmio, óxidos) são pesados e muitas vezes opacos ou semi-
  •  Os sedimentários: (terras) são sobretudo semi-opacos
  • Os orgânicos: (ftalo, azo, quinacridone) são ligeiros e mais transparentes

O peso, a densidade, a cobertura, o poder de tingir, a transparência ou opacidade: cada pigmento vai reagir de forma diferente perante a água e combinado com outro pigmento.

Alguns transportam a cor e outros espalham-na. É importante conhecer todas estas reações.

10 – Faça misturas

A aguarela, médium ligeiro e aquoso, é muito sensível às reações particulares dos pigmentos.

As cores provenientes dos pigmentos não são perfeitas: cada uma está mais de um lado ou de outro do círculo cromático. Um vermelho será tendencialmente mais laranja ou violeta, um azul mais esverdeado ou violeta… Estes detalhes tornam-se muito importantes quando se misturam pigmentos: eles vão se harmonizar se se aproximarem no círculo cromático e entrar em conflito em caso contrário.

Algumas cores são “amigas” e outras “inimigas”. A única maneira de o saber é fazer o teste.

Comece com um amarelo e vá associando diferentes vermelhos, depois azuis…

Experimente também com cores secundárias

Faça… misturas… vai aprender sobre cores, mas também sobre proporções e dosagens para as suas misturas.

Arranje um caderno ou um bloco para as suas experiências, no qual fará as suas anotações…

11 – Compare as cores primárias

Os fabricantes propõem as 3 cores primárias de base (geralmente, magenta, azul ciano, amarelo), mas cada um pode escolher os seus próprios primários e jogar com a qualidade própria dos pigmentos.

Face à folha

12 – Sinta o tema

Uma obra não se improvisa. Antes de começar, temos de entender / absorver o tema, a história, entrar mentalmente no motivo e projetar a obra. É preciso imaginá-la acabada antes de a começar. É um processo difícil mas chegamos lá progressivamente e no final liberta-se a criatividade e a imaginação.

13 – Prepare-se mentalmente

Após a reflexão (o que vou pintar?) e a análise (como vou pintar?)

Bártolo

Perante o tema, será preciso:

  •  Encontrar o enquadramento e definir o ponto focal
  •  Tratar da composição de forma a estabelecer um equilíbrio
  • Verificar a direção da luz, que se manterá ao longo do trabalho
  •  Estudar os valores
  •  Pensar em possíveis efeitos, que revelarão a interpretação do tema

14 – Distinga cores valores

O olho é naturalmente atraído pela cor, ora, para pintar, é a visão dos valores que é preciso desenvolver. Pois é delas que depende a profundidade e, por isso, a ilusão da 3ª dimensão.

Durante o estudo do tema, o cérebro deve esquecer as cores para se focalizar antes de tudo sobre os claros e os escuros. Depois, num segundo tempo, fixa-se sobre os tons frios e os tons quentes. Só depois vem a cor.

4 passos conclusão

15 – Domine a água

Em contacto com a água, o pigmento mexe, ganha vida … Há sobretudo dois métodos na aguarela:

técnicas

Húmido sobre seco

Pinta-se sobre papel seco para um efeito nítido e recortado. Fácil de dominar, este método permite ao principiante progredir rapidamente, pois desenvolve a observação da cor. Contudo, não deve cair na tentação de executar um simples preenchimento de formas.

Húmido sobre húmido

Molha-se o papel antes de começar a pintar ou pinta-se com muita água… este processo proporciona fundidos e fusões que são muito bonitos, com a condição de não abusar. Este é um processo mais difícil, que exige observação e prática.

Quando se domina os dois métodos, pode-se misturar e jogar com os graus de humidade do papel para associar fusões e riscos, fluido e nítido.

16 – Calcule os seus efeitos

Os efeitos são uma forma de interpretar o tema. É uma etapa complexa. Há feitos mecânicos e efeitos imprevistos (a água, a reação inesperada do papel…) Podemos escolher estar mais perto do tema, colando-se a realidade ou arriscar e dar azo à imaginação e à emoção.

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